O Brasil que exporta software: como empresas de tecnologia brasileiras conquistam mercados globais
Quando a Totvs, empresa brasileira de software de gestão empresarial, anunciou no início do ano a abertura de escritórios em Dubai e em Singapura, muitos analistas ficaram surpresos. A empresa, fundada em São Paulo em 1983, é líder no mercado brasileiro de ERP — mas sua expansão internacional acelerada é parte de um movimento maior que está transformando o setor de tecnologia do Brasil.
O Brasil exportou US$ 4,2 bilhões em serviços de tecnologia da informação em 2024, crescimento de 23% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). O número ainda é pequeno comparado a países como Índia e Israel, mas a trajetória de crescimento é consistente e está atraindo atenção de investidores globais.
Quem está liderando
As empresas brasileiras que mais exportam tecnologia não são necessariamente as mais conhecidas do público em geral. Muitas atuam em nichos específicos — software para o agronegócio, soluções para o setor financeiro, plataformas de pagamento — onde desenvolveram vantagens competitivas reais a partir da experiência no mercado doméstico.
A Stone, empresa de pagamentos, opera em 11 países da América Latina. A Stefanini, de serviços de TI, tem escritórios em 41 países e fatura mais de US$ 1 bilhão por ano fora do Brasil. São exemplos de empresas que usaram o Brasil como laboratório e depois levaram o que aprenderam para outros mercados.
"O Brasil é um mercado difícil. Temos regulação complexa, infraestrutura irregular, consumidores exigentes e um ambiente macroeconômico volátil. Quem aprende a operar aqui está preparado para operar em qualquer lugar do mundo."