Agtech brasileira: como a tecnologia está transformando o campo e o que ainda falta
O Brasil é o maior exportador mundial de soja, carne bovina, frango, açúcar e café. Essa posição de liderança no agronegócio global não seria possível sem um nível de tecnologia que surpreende quem visita as grandes fazendas do Centro-Oeste pela primeira vez. Drones que monitoram lavouras em tempo real, sensores de solo conectados à internet, algoritmos que preveem pragas com semanas de antecedência — o campo brasileiro de ponta está entre os mais tecnológicos do mundo.
Mas existe outro Brasil agrícola: o dos 4 milhões de agricultores familiares que produzem 70% dos alimentos consumidos no país e que, em sua maioria, ainda dependem de técnicas tradicionais, têm acesso limitado a crédito e enfrentam dificuldades para adotar tecnologias que poderiam aumentar sua produtividade e renda.
O ecossistema agtech
O Brasil tem hoje mais de 1.800 startups de agrotecnologia, o maior número da América Latina e o quinto maior do mundo. Essas empresas desenvolvem soluções que vão desde aplicativos de gestão rural até biotecnologia avançada, passando por plataformas de comercialização, seguros agrícolas digitais e sistemas de rastreabilidade.
"A tecnologia que existe para o campo brasileiro é impressionante. O problema é que ela foi desenvolvida para quem já tem escala. Para o pequeno produtor, o custo de entrada ainda é alto demais."